Sobre Giulia Daga
A tempestade passou. Dos escombros, não restou senão um chão fértil, ainda úmido de memória. Agora, a tarefa é outra: caminhar por dentro. Tocar, com dedos lentos, cada refazimento, cada fratura costurada, cada silêncio que aprendeu a falar. Estamos na fase em que o espelho já não mente, apenas devolve, em múltiplas superfícies, as tantas que me habitam. Delicadamente, instalou-se em mim uma rebelião mansa: uma efusão de autenticidades distintas, coexistindo em tensão e harmonia, como vozes dissonantes compondo o mesmo coro.
“A poesia devora, a arte hipnotiza; minha alma se lambe em brasas, a criatura mata para renascer e se cura na própria cicatriz, e a dona, se for preciso, sobe descalça até o parapeito da noite e beija a lua até fazê-la tremer.”
