É tão fácil ser como sou… tão nítido e tão notável. Me orgulho de mim mesma e amo cada retalho novo do meu ser. Se algumas pessoas notórias soubessem o que me coube nos últimos invernos e de quanto frio padeceu minha alma, também se orgulhariam de mim!

Desnuda da armadura que precisei criar para sobreviver ao meu próprio holocausto, sou mais bela que a própria Vênus! Afinal, ela nunca soube o que é sentir o vento…!

Nunca sorriu aos pombos, nunca pode agradecer por mais um dia… nunca se emocionou ao por do sol… nunca desejou a pele, os poros e o ar do pulmões de seu amado. E jamais saberá o que é ser… um ser alado!

Não se arrepia ao retesar das cordas a criar melodia, não suspira ao toque dos dedos às teclas de um piano, não ama o poeta e nem a poesia. É inanimada e apenas a distância adorada.

Eu porém… fremida e viva! A pulsar em cada pétala, em cada pena, a verter em tintas até ao mar e ao som do tango virar estrela. A dançar e ter um céu inteiro a iluminar. Entrecortada, renascida, ressurgida! Pespontada na arte da geometria sagrada que me despertou outra vez.

Na ferra que espreita ora iluminada ora despida da sua própria tez. É criatura recém criada e sedenta de tudo que lhe faz amada, e que lhe traz a alma a vida novamente em sua nudez mais uma vez.

Altiva de seus consígnios, sabe por onde renascer!

Ju.


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