A vida é como grãos

de romã madura.

Se não lhe partir a casca

não se pode ver o meio.

Não se sabe se está no tempo

Não se vê se é chegado o momento

Disfarçada em sua discrição

somente um leve rubor se vê

de um dos lados de sua tez.

Desejada de adivinhos

motivo da sorte de quem a colher.

Uma vez desejada e sua pele arrancada, 

deleita-se rubra a quem souber ser paciente 

e na ponta dos dedos delicadamente se deliciar.

Até a última baga esmagada

a verter sabores dentro da boca

escorrendo e adoçando a vida

de quem se atreve a lhe amar!


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