Minha saudade é outra…
Todos nós em algum momento de reflexão interna ou de avaliação de nossas próprias vivências, chegamos a seguinte conclusão: De que… a palavra saudade, não se define apenas pela falta de algo que passou, daquilo que se findou de forma abrupta ou suave ou da ausência de alguém que possa tem feito bem ou não. A nossa saudade é outra, porque não é de alguém, do ato ou do fato.
É de nós mesmos…!
A falta que rasga por dentro é de QUEM fomos aquela época, e de quem conseguíamos SER naquele tempo onde a memória registrou, cheiros, sabores, sensações e lembranças marcantes. Alegrias genuínas de quem sabe que tudo que é bom, marca de forma sensorial nossa alma.
Podemos apagar tantas coisas da nossa mente… Mas nunca em qualquer tempo da existência humana a faxina mental esteve tão em voga – resete, ressignifique, renasça, refaça, reveja, reconsidere, reconstrua-se. Nos tornamos RE- TROGADOS.
Porque em outros tempos, RE- CORDAR era sinônimo de elegância.
Família inteiras aprendiam com aplicação da linguagem oral por pura memória. Sabedoria e vivências reais eram repassadas como exemplos vivos de um tempo vivido com saudades e com orgulho.
Hoje isso é chamado de
É de outros tempos e de outros ventos.
Por isso se chama saudade.
Ela dói por dentro e não aceita troca de roupa.
Se chama zona de conforto…
E para as mudanças, olha torto.
A minha saudade é outra!
É pautada na confiança de acreditar.
Por isso não aceita ser tirada para dançar.
Minha saudade… é outra.
É feita de sinfonias.
Adjetivos, substantivos
e palíndromos atrevidos.
Ela é o verso do avesso
mais perverso.
O eufemismo perfeito
a disfarçar o abismo!
Por isso ela se chama nostalgia.
De quando sua alma rasgou por
uma poesia.
Minha saudade …
Não mata mais a sede
que tenho de mim mesma
embriagada de alegria.
Adormecida no fundo
de uma xícara de chá vazia.
Minha saudade é outra…
Outra xícara cheia para ser sorvida!

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