Pela ótica da sua lente visual como tu andas vendo o mundo?
Nota-se, que a sede é das pérolas de anos idos, onde pequenas e verdadeiras alegrias surgiam de risadas sinceras e cheiros específicos de épocas natas.
Datas! Eram memoráveis e a nossa memória sensorial jamais vai nos deixar esquecer. Hoje em dia, (datas) nada mais são, que um calendário, quando lembrado. Então, o que foi que escapou das nossas mãos?
Se eu lhe pergunta-se… que cheiro tinha seu Natal? Que barulho tinha a Copa na sua infância ou qual o sabor do seu aniversário você saberia me dizer?
” – tinha cheiro de casa toda encerrada, forninho quente, e de massa de bolacha pronta, sobre uma mesa de fórmica antiga, escondida debaixo de uma toalha pesada de tecido nobre e belos ” bicos” de crochê. Regada a suspiro do limão, tirado do pé, pelas mãos do meu pai, no meio da tarde!
– branco… suave… parecia a neve dos alpes que nunca conheci. De sabor açucarado e quando saboreado pelo céu da boca, derretia em grumos de açúcar, como prova de que a vida sabia ser doce, quando se lutava por isso.
-na cidade grande se chamava suspiro ou chantilly – na minha infância se chamava (cobertura das bolachas de Natal e do bolo idem) – ainda tenho saudade do açúcar colorido em apenas quatro cores; Verde, vermelho, amarelo e azul. As outras bolachas eram cobertas com bolinhas prateadas. No Sul do Brasil se faziam ” Bolachas de Natal”!
– datadas com um mês de antecedência e colocadas em vidros transparentes sobre a cozinha para ” enfeitar”… tudo era ( enfeitado) para o Natal.”
A Páscoa tinha cheiro de caixinha de bombom Garoto aberta, charutos de papel crepom colorido e casca de ovo pintada com os dedos. Todos com amendoim dentro. E lógico… churrasco de domingo! Regado a Coca-Cola do caminhão, que parava somente nas casas que podiam pagar o ” engradado”. O interior das cidades pequenas, sabe ter seu charme. Tristeza era quando o dia acabava…
Os aniversários … tinham sabor de banho tomado e sermão de ” se comporte” – não saia correndo por aí! Para receber os parentes (até os mais chatos) com bolo coberto com confete da venda do Sr Turco e limonada gelada. Conversas de adultos e elogios ( se tu fosse bem comportado) e os presentes das avós. Esses eram os melhores! Sempre tinha um pedaço de chocolate enrolado numa toalha de banho!
A Copa! haaaaaa a copa! Tinha sabor de tampinha de garrafa e mimos em verde amarelo da escola! Éramos literalmente liberados das aulas para ir para casa, onde a TV de anteninha e a pipoca já nos esperava ao som de foguetes na rua e gritos de alegria nos bares. A cada gol a cidadezinha inteira sacudia! Dormir campeão era o maior orgulho da existência e ser Brasileiro era saber que aquela Zebra do Jornal da noite, era mais nossa que muita coisa na vida.
É… o interior sabe ter seu charme!
Deixa… Deixa, que eu Te Conto em Paris!
