Descrevo-te sobre a fraca luz do entardecer… manso e tão inacreditavelmente meu! Nos dias de hoje onde podemos descrever… escrevendo, tantas situações, o que na verdade estamos sentindo?
” … descrevo-te a luz fraca do entardecer… o dia estava nublado e mal se via os breves raios do sol por de trás das nuvens densas e visivelmente aborrecidas, como se o dia delas não tivesse sido nada bom.
… recostada na minha cadeira o Vento soprava de um modo tão peculiar, se fazia manso a soprar sua intensidade no meu rosto, como um grito mudo aos sentidos. Era fresco e diligente, se acomodando sobre minha pele, como uma manta gostosa num final de dia frio. Mas insistia, dançava e atordoava tudo ao seu redor rodopiando as folhagens que dançavam festivas como se nunca tivessem estado no baile da vida…”
“… tão inacreditavelmente meu…” soprava morno apesar do céu em nuances de cinza tristonho fazerem companhia ao azul pálido do dia.
O resumo de tudo que senti ficou arrebatado na simples frase escrita com a alma. As vezes me pego pensando se as pessoas se dão o luxo de sentir de verdade ou só…
Só fingem vaidades? Quanto a mim, ainda sinto as coisas no vento e creio peculiarmente que manter sua mente aberta ao extraordinário que habita em nós, ainda é o maior dom de sabedoria que podemos carregar. Quando a dúvida bater à porta… abra a janela da alma, ela sabe mais sobre verdades que o poder das vaidades.
Juliana – Texto poético – Poesia Autoral
